Rafael Rodrigues
O teatro de bonecos é uma das principais vertentes da cultura popular brasileira. Nele há música, teatro e vários outros tipos de manifestações culturais. Entre seus principais expoentes estão o mamulengo de origem nordestina, inspirado diretamente nos fatos do cotidiano e a marionete que são figuras grandes controladas por cima, normalmente movimentadas por cordões.
Nesta edição, o festival leva ao público grandes novidades do mundo dos bonecos com grupos teatrais de vários países, como Turquia, Itália, Portugal, Espanha, Argentina e Venezuela. Além de representantes de dez estados brasileiros, que se apresentam na cidade. A estrutura ficará disponível para o público a partir das 9h, com exposições permanentes. As apresentações trarão grandes variedades de bonecos.
Segundo o organizador e criador do festival, Ricardo Moreira, o principal objetivo do evento é resgatar a cultura popular brasileira por meio da música, da gastronomia e do teatro de bonecos. "Mostrar a manifestação pura da cultura popular é um dos principais objetivos do festival", afirma.
O lado gastronômico ficará a cargo de uma espécie de Praça de Alimentação, onde serão comercializados pratos típicos preparados em um fogão à lenha. A novidade este ano é o espaço Patrimônio Imaterial que trará reizado, marujada, quebradeiras de coco, cacuriá e a quadrilha Mexeu-Mexeu. Nomes pouco comuns para a maioria, mas que fazem parte das apresentações culturais de maior representatividade da cultura popular brasileira. "Desde que foi criado, o festival possui uma peculiaridade. Ele agrada crianças, jovens e adultos que ficam encantados com o espetáculo dos bonecos", acrescenta Ricardo.
O festival será dividido em pontos de cultura que irão contar com uma grande homenagem às mestras mulheres, que coloriram o mundo dos bonecos, com apresentações musicais, como o grupo Casa de Farinha que estará presente durante todos os dias do evento, as rodas de conversa que irão promover a integração de artistas e o público, com bate-papo com os mestres e manipuladores de bonecos presentes.
Um dos destaques do festival este ano é o Grupo Navegante de Minas Gerais, que traz o espetáculo de marionetes Musicircus. Criado em 1994, o grupo se destacou pelo trabalho na Minissérie Hoje é Dia de Maria, da Rede Globo. Segundo o criador do grupo Catin Nardi, os festivais que ocorrem em todo Brasil são a vitrine dos artistas que trabalham com bonecos. "Esse tipo de iniciativa fortalece o encontro entre profissionais da área com a população interessada no teatro de bonecos", afirma.
Desafio
Apesar do grande número de grupos espalhados pelo Brasil, atualmente o teatro de bonecos enfrenta grandes dificuldades. As platéias desses espetáculos folclóricos praticamente desapareceram. Alguns grupos se mantém com muitas dificuldades econômicas devido ao baixo número de espectadores e falta de investimentos.
Segundo o diretor de um dos principais grupos de teatro de bonecos de Brasilia, Sem Fronteiras, Walter Cedro, é muito importante investir mais na criação de festivais como o de Brasília. "Além de divulgar o trabalho dos artistas, os festivais servem para mostrar o teatro de bonecos para a nova geração", disse. O grupo apresenta o espetáculo Exemplos de Bastião, na quarta-feira, às 15h, no Teatro Plínio Marcos.
6º Festival Internacional de Bonecos de Brasília – Exposições, rodas de conversa e espetáculos. Até domingo, das 10h às 21h, no Complexo Cultural Funarte (Eixo Monumental). Abertura hoje, às 20h. Entrada franca.
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