Leandro de Maman/Divulgação
O espetáculo proporciona vida aos bonecos recriando a linguagem visual dos desenhos animados
Rafael Rodrigues
Poesia, magia e lirismo fazem parte do espetáculo A Caixa – Uma História que Começa Pelo Fim, espetáculo infantil, que poderá ser visto até domingo, no Espaço Gente Arteira no Teatro da Caixa.
Resultado de experimentações de recursos visuais utilizados nos desenhos animados e recriados no teatro de bonecos, A Caixa conta a história de uma menina que, diante do grande número de brinquedos que tinha, resolve se desfazer de alguns, jogando-os no lixo. Os manipuladores, inconformados, resolvem interferir na história, dando vida a um dos brinquedos: o palhaço.
A frágil figura se depara com uma grande cidade, onde a dureza da metrópole vai minando a esperança de encontrar alguém que salve seus companheiros de infortúnio e abandono. Os bonecos movimentam-se sobre o balcão, utilizando como linguagem vocal o Blablado (forma de linguagem vocal derivada do grammelots, utilizada durante a Idade Média pelos atores que viajavam o mundo) para apresentar os espetáculos e se comunicar sem ter que aprender todos os idiomas de cada país, numa linguagem universal.
Por alguns momentos os bonecos assemelham-se a seres humanos, buscando confundir o público. "O espetáculo é para todas as idades e traz uma adaptação do livro de Quentin Blake que não possui textos, mas belíssimas gravuras, todas pintadas em aquarela, além de retomar o jogo entre animador e objeto animado, estabelecendo uma relação mútua de cumplicidade entre eles", explica o diretor, Guilherme Peixoto.
Em uma história com muita poesia e sentimentos, voltada a pessoas de todas as idades, o espetáculo pretende surpreender os expectadores dando vida aos bonecos recriando a linguagem visual dos desenhos animados e sensibilizando o público infantil e adulto pela simplicidade com que se desenvolve a trama.
A obra
A transposição da obra para os palcos durou 15 meses de pesquisa e experimentações no teatro de animação a partir de livre inspiração no livro Clown (o palhaço), do inglês Quentin Blake. A obra, sem textos, foi publicada originariamente no Reino Unido em 1995 e contemplado com vários prêmios, dentre eles o Bologna Ragazzi Children's Fiction Prize, considerado o melhor livro para crianças publicado em 1996.
Para aprender as técnicas utilizadas pelos animadores, haverá, amanhã, das 9h às 13h, uma oficina gratuita, para até 20 pessoas, com mais de 16 anos. A oficina será para atores que querem iniciar na manipulação de bonecos, bem como para profissionais da área da educação que desejam ampliar suas metodologias pedagógicas. Serão trabalhados conceitos básicos da manipulação de bonecos como monstruosidade, foco, eixo e triangulação.
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